Dr. Rogério Silva, médico cardiologista e cardionutrologista
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Poltrona junto à janela à noite com abajur aceso e copo de água, cena sobre o coração acelerado do nada
Saúde do coração

Coração acelerado do nada: o que pode ser e o que fazer na hora

Coração acelerado do nada: o que pode ser e o que fazer na hora

Você está sentado no sofá, sem ter feito esforço nenhum, e de repente o coração dispara. Bate forte, rápido, às vezes no pescoço. Em alguns minutos passa, e fica a dúvida: coração acelerado do nada pode ser o quê? Na maioria das vezes a causa tem nome e tem tratamento. Em algumas, é sinal de que precisa ser visto no mesmo dia. O objetivo aqui é você saber separar uma coisa da outra.

Sou o Dr. José Rogério da Silva, CRM-SP 172.346, RQE 78622, cardiologista e cardionutrólogo. Essa é uma das queixas mais comuns do consultório de cardiologia, e uma das que mais se beneficia de uma boa descrição feita por quem sentiu.

O que você vai encontrar aqui

  • As três explicações mais frequentes para o coração que acelera sem motivo aparente.
  • Como o jeito de começar e de terminar o episódio ajuda a diferenciar uma da outra.
  • O que fazer no momento, e o que não fazer.
  • Os sinais que mandam para o pronto-socorro, e qual exame registra o que aconteceu.

Ao fim, você vai saber descrever o episódio de um jeito que encurta o caminho até o diagnóstico.

O que é coração acelerado, em números

Em repouso, o coração de um adulto costuma bater entre 60 e 100 vezes por minuto. Acima de 100, em repouso, o nome técnico é taquicardia, e é essa a referência usada nas diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia.

Taquicardia não é diagnóstico. É um achado, como febre. O que importa é descobrir de onde ela vem.

Coração acelerado do nada: as três explicações mais comuns

Taquicardia sinusal

É o coração acelerando pelo comando normal, só que mais rápido do que a situação pede. A subida é gradual e a descida também. Por trás costuma haver um motivo que a pessoa não percebeu: febre, desidratação, anemia, tireoide acelerada, excesso de cafeína ou energético, descongestionante nasal, noite mal dormida, ansiedade. Tratar é tratar a causa.

Taquicardia que liga e desliga

Algumas arritmias funcionam como um interruptor. O coração passa de 80 para 180 batimentos por minuto de uma batida para a outra, e depois volta ao normal com a mesma rapidez. É o padrão típico da chamada taquicardia supraventricular, descrita em detalhe na diretriz americana sobre o tema. É mais comum em pessoas jovens e sem doença cardíaca, e tem tratamento definitivo em boa parte dos casos.

Ritmo irregular

Quando o coração acelera e bate desencontrado, sem compasso, uma das hipóteses é a fibrilação atrial. Ela fica mais frequente com a idade, a pressão alta, a apneia do sono, a obesidade e o álcool em excesso. Não costuma ser perigosa na hora, mas aumenta o risco de AVC, e por isso nunca deve ser deixada sem avaliação.

Existe uma quarta possibilidade, menos comum e mais séria: arritmias que nascem no ventrículo, geralmente em quem já tem doença do coração. É por isso que histórico de infarto ou insuficiência cardíaca muda a urgência de qualquer episódio.

O que fazer na hora

Enquanto o episódio acontece, algumas atitudes ajudam, e todas servem também para o diagnóstico:

  • Pare e sente ou deite. Não dirija e não continue o esforço.
  • Olhe o relógio. Anote a hora em que começou e em que terminou.
  • Conte o pulso por 30 segundos e multiplique por dois, reparando se o ritmo é regular.
  • Registre, se puder. Alguns relógios fazem um traçado de uma derivação, e ele vale muito na consulta.
  • Respire devagar. Na taquicardia sinusal ligada à ansiedade, isso costuma ajudar.

O que não fazer: tomar remédio de outra pessoa, tomar vários cafés para "ver se passa" ou ignorar o episódio porque terminou sozinho.

E a manobra que faz o coração voltar?

Existe uma manobra que ajuda a interromper a taquicardia supraventricular, a chamada manobra vagal. Num ensaio feito em prontos-socorros da Inglaterra, o REVERT, 214 pacientes fizeram a manobra padrão e 214 uma versão modificada, com elevação das pernas logo depois do esforço. O ritmo voltou ao normal em 17% no primeiro grupo e em 43% no segundo.

Os autores escrevem que a manobra pode ser ensinada aos pacientes. A palavra importante é ensinada: ela é orientada pelo médico depois que o diagnóstico está feito, para quem sabe que tem esse tipo de arritmia. Não é receita genérica para qualquer coração acelerado.

Corredor de clínica claro e vazio com cadeiras de espera, cena sobre quando o coração acelerado do nada pede avaliação

Quando o coração acelerado é caso de pronto-socorro

Procure atendimento no mesmo momento se o coração acelerado vier com qualquer um destes sinais:

  • Dor ou aperto no peito.
  • Falta de ar fora do habitual.
  • Desmaio, quase desmaio ou confusão.
  • Episódio que não termina mesmo depois de algum tempo em repouso.
  • Histórico de infarto, insuficiência cardíaca ou marca-passo.

Nesses casos, o eletrocardiograma feito durante o episódio é o exame mais valioso que existe. Ele mostra exatamente qual ritmo estava acontecendo, e nenhum exame posterior substitui esse registro.

O que levar para a consulta

Um exemplo que se repete muito: uma mulher de 34 anos conta que o coração dispara de repente, umas duas vezes por mês, e para de repente, "como se desligasse". Ela anotou três episódios, com horário e duração, e um deles foi registrado no relógio. Com essa descrição, a suspeita de taquicardia supraventricular vem antes de qualquer exame, e o monitoramento é escolhido para confirmar.

Leve para a consulta: quantas vezes aconteceu, quanto durou, como começou e como terminou, o que você estava fazendo, o que tomou naquele dia e qualquer registro de relógio ou pronto-socorro. Na consulta de cardiologia, isso define se o próximo passo é Holter de 24 horas, monitor de eventos por mais tempo ou exames de sangue.

O essencial

  • Coração acelerado em repouso, acima de 100 batimentos por minuto, é taquicardia, e taquicardia é achado, não diagnóstico.
  • As causas mais comuns são taquicardia sinusal, arritmia que liga e desliga e ritmo irregular, como a fibrilação atrial.
  • Começo e fim abruptos sugerem arritmia; subida e descida graduais sugerem taquicardia sinusal.
  • Dor no peito, falta de ar, desmaio ou episódio que não termina pedem pronto-socorro.
  • Anotar hora, duração e pulso, e registrar o episódio quando possível, encurta o diagnóstico.

O que ainda não se sabe

Relógios e pulseiras capazes de registrar o ritmo mudaram a forma como os episódios chegam ao consultório, mas ainda se discute como usar esses registros sem gerar exames desnecessários em quem não tem nada. Também se estuda quem, entre as pessoas com episódios raros e curtos, se beneficia de investigação mais longa.

Até lá, a regra prática continua a mesma: descreva bem, registre quando puder e não normalize o que se repete. Nada aqui substitui uma consulta, e cada caso exige avaliação individual.

Referências

  • Brugada J et al. 2019 ESC Guidelines for the management of patients with supraventricular tachycardia. Eur Heart J. 2020;41:655-720. doi:10.1093/eurheartj/ehz467.
  • Page RL et al. 2015 ACC/AHA/HRS Guideline for the Management of Adult Patients With Supraventricular Tachycardia. Circulation. 2016;133:e506-e574. doi:10.1161/CIR.0000000000000311.
  • Appelboam A et al. Postural modification to the standard Valsalva manoeuvre for emergency treatment of supraventricular tachycardias (REVERT). Lancet. 2015;386:1747-1753. doi:10.1016/S0140-6736(15)61485-4.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso exige avaliação individual. Responsável técnico: Dr. José Rogério da Silva, CRM-SP 172.346 · RQE 78622.

Perguntas frequentes

Coração acelerado do nada pode ser o quê?

As causas mais comuns são taquicardia sinusal, quando o coração acelera pelo comando normal por febre, desidratação, cafeína, tireoide ou ansiedade; taquicardia supraventricular, que liga e desliga de repente; e ritmo irregular, como a fibrilação atrial. Em quem já tem doença cardíaca, arritmias do ventrículo também entram na lista.

O que fazer quando o coração dispara?

Pare, sente ou deite, anote a hora de início e de fim, conte o pulso e observe se o ritmo é regular. Se tiver relógio que registra o traçado, registre. Não tome remédio de outra pessoa e não dirija durante o episódio.

O que é bom para acalmar o coração acelerado?

Depende da causa. Na taquicardia sinusal ligada à ansiedade, respirar devagar costuma ajudar. Na taquicardia supraventricular, existe uma manobra vagal que, no ensaio REVERT, reverteu o ritmo em 43% dos casos na versão modificada, mas ela deve ser ensinada pelo médico depois do diagnóstico.

Quando o coração acelerado é emergência?

Quando vem com dor ou aperto no peito, falta de ar, desmaio ou confusão, quando não termina mesmo em repouso, ou quando a pessoa já teve infarto, insuficiência cardíaca ou usa marca-passo. Nesses casos, o atendimento é imediato.

Qual exame descobre por que o coração acelera?

O mais valioso é o eletrocardiograma feito durante o episódio. Quando os episódios são raros, o médico pode pedir Holter de 24 horas ou monitor de eventos por mais tempo, além de exames de sangue para tireoide e anemia.

Guia do Dr. RogérioAntes da CanetaAs páginas de valor que deveriam vir na caixa.Existe uma fase antes da primeira dose. Quase todo mundo pula.Conhecer o guia

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