Dr. Rogério Silva, médico cardiologista e cardionutrologista
Agendar
Pasta de exames, estetoscópio e aparelho de pressão sobre a mesa do consultório, cena sobre quem pode usar medicamento para emagrecer
Emagrecimento

Quem tem indicação para tratamento medicamentoso da obesidade, e por que o IMC sozinho não decide

Quem tem indicação para tratamento medicamentoso da obesidade, e por que o IMC sozinho não decide

Quem quer saber quem pode usar medicamento para emagrecer quase sempre procura um número: qual IMC precisa ter? O número existe, e está na bula. Mas ele é a porta de entrada da pergunta, não a resposta inteira. A indicação para tratamento medicamentoso da obesidade nasce de uma conversa, não de um número, e quem decide é o médico, com a sua história inteira na frente.

O que você vai encontrar aqui

  • O que a bula e a diretriz brasileira dizem sobre o IMC, e de onde vêm esses cortes.
  • O que o IMC não enxerga, e o que a definição de obesidade clínica de 2025 mudou.
  • O que acontece com quem está abaixo do corte.
  • O que mais pesa na decisão do médico e o que levar à consulta.

A ideia é que você leia o seu próprio IMC sem tomá-lo por sentença, nem a favor nem contra.

Quem pode usar medicamento para emagrecer, segundo a bula

As bulas da semaglutida e da tirzepatida para controle de peso, em adultos, trazem dois cortes: IMC de 30 ou mais, ou IMC de 27 ou mais quando há ao menos uma doença relacionada ao peso, como hipertensão, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou diabetes tipo 2. E trazem uma condição: o medicamento entra como adjuvante à dieta e ao aumento da atividade física, não no lugar deles.

Esses números não saem do nada. O STEP 1, publicado em 2021 no New England Journal of Medicine, incluiu 1.961 adultos sem diabetes, com IMC de 30 ou mais, ou de 27 ou mais com uma condição associada, e com ao menos uma tentativa de emagrecer só com dieta sem sucesso. O corte da bula acompanha quem foi estudado.

A diretriz brasileira de tratamento farmacológico da obesidade, da ABESO, de 2026, mantém os mesmos cortes. Segundo os resumos publicados, ela não exige um período prévio só de mudança de hábitos antes do medicamento, mas mantém o estilo de vida como alicerce, em paralelo.

O que o IMC mede, e o que ele deixa de fora

O IMC é o peso dividido pela altura ao quadrado. É barato, padronizado e foi a régua dos estudos, e por isso continua aparecendo. A Organização Mundial da Saúde define sobrepeso como IMC de 25 ou mais e obesidade como 30 ou mais.

Mas é um número só. Ele não separa gordura de músculo, não diz onde a gordura está e não diz se já houve dano. Em 14 de janeiro de 2025, uma comissão de 58 especialistas, publicada na Lancet Diabetes & Endocrinology e endossada por 76 organizações, propôs usar o IMC como indicador populacional e de triagem, e não como medida individual de saúde. Para confirmar excesso de gordura, recomendou medida direta de gordura, ou o IMC somado a ao menos um critério como circunferência da cintura ou relação cintura-altura, ou dois desses critérios, independentemente do IMC.

A comissão separou ainda a obesidade pré-clínica, com excesso de gordura e órgãos funcionando, da obesidade clínica, em que a função já está alterada. Para a primeira, afirma que, quando o risco individual é baixo o bastante, não se exige medicamento ou cirurgia, e sim aconselhamento e acompanhamento ao longo do tempo. Para quem tem risco maior, outras intervenções podem ser consideradas, avaliadas caso a caso.

São réguas com finalidades diferentes: a bula delimita para quem o medicamento foi registrado, e a comissão discute o que caracteriza doença em curso. Por isso o número abre a conversa e não a encerra. O tema da doença está em obesidade é doença tratada, não estética.

E quem está abaixo do corte da bula?

A diretriz brasileira de 2026 passou a considerar o tratamento farmacológico, segundo os resumos publicados, independentemente do IMC, quando há aumento da circunferência da cintura ou relação cintura-altura acima de 0,5 com complicações associadas. A bula, porém, segue escrita em torno do IMC.

Essa distância é uma das razões para a decisão ser do médico, caso a caso. É também por isso que a pergunta "tenho 26, posso?" não tem resposta por texto.

O que mais pesa na indicação, além do número

  • As doenças associadas ao peso: pressão, glicemia, gordura no fígado, apneia do sono, dor nas articulações. Mostram se o excesso já cobra alguma coisa.
  • Onde está a gordura. A cintura diz o que a balança não diz.
  • O que já foi tentado e como foi, sem julgamento.
  • A segurança: contraindicações, outros remédios em uso, plano de gravidez, cirurgia marcada. Veja quem não pode usar caneta emagrecedora.
  • O que a pessoa consegue sustentar: consultas, exames, nutrição e treino.

Na avaliação cardiológica, o IMC costuma ser lido ao lado de pressão, colesterol, glicemia, sono e cintura. Nos Estados Unidos, a bula da semaglutida inclui ainda a redução de eventos cardiovasculares graves em adultos com doença cardiovascular estabelecida e excesso de peso, o que mostra que a indicação também pode partir do coração. Mais em caneta emagrecedora e coração.

Ter indicação, por fim, não é o mesmo que ter cobertura, assunto de plano de saúde cobre caneta emagrecedora.

Como levar o seu número para a consulta sem tomá-lo por sentença

Leve o IMC e, se tiver, a medida da cintura, a lista de doenças e de remédios, e a história do seu peso com o que já tentou. Comece pela pergunta que abre tudo: pelo meu histórico, tenho indicação? As outras onze estão em perguntas para fazer ao médico antes de começar o tratamento.

Quem está abaixo do corte não está dispensado de cuidar, e quem está acima não está obrigado a medicar. O número aponta a porta, e quem decide se entra é a conversa.

O essencial

  • A bula traz IMC de 30 ou mais, ou de 27 ou mais com ao menos uma doença relacionada ao peso, junto com dieta e atividade física.
  • Esses cortes refletem quem foi estudado, como no STEP 1, com 1.961 adultos.
  • O IMC não separa gordura de músculo nem mostra onde está a gordura, e a comissão de 2025 recomenda confirmá-lo com outra medida.
  • A diretriz brasileira de 2026 passou a considerar cintura e relação cintura-altura com complicações, independentemente do IMC.
  • A indicação depende também de doenças associadas, segurança, histórico e capacidade de acompanhar.

O que ainda está em debate

A definição de obesidade clínica é recente, e transformar um consenso em critério dentro de bulas, protocolos e sistemas de saúde leva anos. Seguem em aberto como a ampliação da diretriz brasileira vai aparecer na prática e se usar medidas além do IMC muda o que acontece com as pessoas a longo prazo.

Nada aqui substitui uma consulta. Cada caso tem história, exames e outros remédios em uso, e é isso que decide a indicação.

Referências

  • Anvisa. Bulário eletrônico: bulas do profissional de saúde da semaglutida e da tirzepatida, seção Indicações. consultas.anvisa.gov.br.
  • FDA. Informação de prescrição da semaglutida para controle de peso, março de 2024, seções 1 e 14. accessdata.fda.gov.
  • Wilding JPH et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity (STEP 1). N Engl J Med. 2021;384:989-1002. doi:10.1056/NEJMoa2032183.
  • Rubino F et al. Definition and diagnostic criteria of clinical obesity. Lancet Diabetes Endocrinol. 2025;13(3):221-262. doi:10.1016/S2213-8587(24)00316-4.
  • Organização Mundial da Saúde. Obesity and overweight, ficha informativa. who.int.
  • IntraMed. Diretriz ABESO 2026: o novo paradigma no tratamento farmacológico da obesidade, 2026. intramed.net.

Dr. Rogério Silva. Cardiologista, especialista em Clínica Médica, pós-graduado em Neurociência e Psicologia Positiva, com formação em cardionutrologia. Autor de A Dor que os Exames Não Mostram. @drrogeriosilvacardio

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso exige avaliação individual. Responsável técnico: Dr. José Rogério da Silva, CRM-SP 172.346 · RQE 78622.

Perguntas frequentes

Qual IMC precisa ter para usar medicamento para emagrecer?

Em bula, adultos com IMC de 30 ou mais, ou de 27 ou mais quando há ao menos uma doença relacionada ao peso, junto com dieta e atividade física. O número abre a conversa, e a indicação é decisão do médico.

Quem tem IMC abaixo de 27 pode ter indicação?

A bula é escrita em torno do IMC. A diretriz brasileira de 2026, segundo os resumos publicados, passou a considerar o tratamento com cintura aumentada ou relação cintura-altura acima de 0,5 e complicações associadas. Essa decisão é do médico, caso a caso.

Por que o IMC sozinho não decide?

Porque ele não separa gordura de músculo, não mostra onde a gordura está e não diz se há dano. A comissão de 2025 recomenda confirmar o excesso de gordura com outra medida, como a cintura.

Preciso tentar dieta por meses antes de começar o medicamento?

Segundo os resumos da diretriz de 2026, não há exigência de um período prévio só de mudança de hábitos. O estilo de vida segue como alicerce, em paralelo ao medicamento.

Estar dentro do corte garante a indicação?

Não. Contraindicações, outros remédios, plano de gravidez e capacidade de acompanhar também pesam. Quem decide é o médico, com a história inteira na frente.

Guia do Dr. RogérioAntes da CanetaAs páginas de valor que deveriam vir na caixa.Existe uma fase antes da primeira dose. Quase todo mundo pula.Conhecer o guia

Conhece alguém que precisa ler isto?

Compartilhar leva mais longe que qualquer anúncio.

WhatsApp

Gosta do que lê aqui?

Adicione o site às suas fontes preferidas do Google e os artigos aparecem com mais frequência para você na busca.

Ficou com alguma dúvida sobre o seu caso?

O acompanhamento é feito por telemedicina, em todo o Brasil, com médico, nutrição, psicologia e enfermagem na mesma equipe.

Agendar pelo WhatsApp

Continue lendo

Ficou com alguma dúvida?

Fale com a equipe do Dr. Rogério pelo WhatsApp.