
Teste de sentar e levantar cinco vezes: como fazer com segurança e o que o seu tempo quer dizer
Dr. José Rogério da SilvaMédico cardiologista · CRM-SP 172.346 · RQE 78622Publicado em 14 de outubro de 2026Teste de sentar e levantar cinco vezes: como fazer com segurança e o que o seu tempo quer dizer
A balança diz quanto você pesa. Não diz se a perna segura esse peso. Para essa segunda pergunta existe um teste que custa zero e cabe em menos de um minuto: o teste de sentar e levantar cinco vezes. Uma cadeira, um relógio e cinco levantadas seguidas, sem usar as mãos.
O teste é simples, e por isso erra fácil. Uma cadeira que desliza, uma mão que se apoia no joelho ou um cronômetro disparado tarde mudam o número sem mudar a perna. Número errado é pior do que nenhum, porque parece dado.
O que você vai encontrar aqui
- O passo a passo do teste, da cadeira ao cronômetro.
- O erro que invalida o tempo e o que anotar quando não dá para fazer sem as mãos.
- O que o consenso europeu de sarcopenia diz sobre os 15 segundos, e o que ele não diz.
- Quando parar, com quem fazer e quando levar o número ao médico.
A ideia é que você saiba fazer, anotar e comparar com o seu próprio número.
Teste de sentar e levantar cinco vezes: o passo a passo
Você precisa de uma cadeira firme e sem braços, de um relógio que marque segundos e de alguém por perto na primeira vez.
- Encoste a cadeira na parede para que ela não deslize. Na literatura, a altura do assento costuma ficar entre 43 e 45 centímetros, perto da de uma cadeira de mesa comum.
- Sente com as costas apoiadas e os pés inteiros no chão. Cruze os braços sobre o peito, uma mão em cada ombro.
- Levante até ficar de pé por inteiro e sente até tocar o assento, cinco vezes, o mais rápido que conseguir com segurança, sem usar as mãos.
- O relógio para quando você senta pela quinta vez. Anote os segundos e a data.
Rápido e com segurança, nessa ordem: um teste que termina em queda não mede nada.
Por que apoiar a mão no joelho invalida o tempo
O teste existe para medir a força das pernas. O consenso europeu de sarcopenia, o EWGSOP2, descreve o tempo para levantar cinco vezes sem usar os braços como um indicador da força do quadríceps, o músculo da frente da coxa.
Quando a mão empurra o joelho ou o assento, parte do trabalho sai da perna. O tempo melhora e a informação piora, e o número deixa de comparar com ele mesmo, que é o uso mais valioso do teste. Se você não conseguir sem as mãos, anote exatamente isso no lugar do tempo. É um dado, não uma falha.
Trocar de cadeira, de horário ou de calçado também muda o número sem mudar a perna. E uma diferença pequena entre duas medidas pode ser só o dia, e não a perna.
O que significa passar de 15 segundos
O EWGSOP2, publicado por Cruz-Jentoft e colaboradores na revista Age and Ageing em 2019, usa mais de 15 segundos para cinco levantadas como sinal de força reduzida. Pela lógica do consenso, força baixa torna a sarcopenia provável. Ela só se confirma depois, com a avaliação da quantidade ou da qualidade do músculo, e isso é trabalho do médico.
Para ler esse número sem susto: o corte é uma sugestão de leitura, e não um diagnóstico, e tempo acima dele é motivo de conversa, e não de alarme.
Na meta-análise de Bohannon (Perceptual and Motor Skills, 2006), com 13 artigos sobre adultos de 60 anos ou mais, tempos acima de 11,4 segundos entre 60 e 69 anos, de 12,6 entre 70 e 79 e de 14,8 entre 80 e 89 indicam desempenho pior que a média da faixa etária.
Há também o lado do risco. Em 1.618 pessoas com mais de 65 anos, seguidas por cerca de dois anos, um tempo acima de 15 segundos mais ou menos dobrou o risco de quedas repetidas entre as que já estavam em risco moderado (Buatois e colaboradores, 2010). E em 1.122 pessoas de 71 anos ou mais, sem incapacidade no início, quem teve as piores pontuações em três testes (equilíbrio, caminhada e as cinco levantadas) tinha de 4,2 a 4,9 vezes mais chance de ter incapacidade nas atividades do dia a dia ou na locomoção quatro anos depois, em comparação com quem teve as melhores pontuações (Guralnik e colaboradores, 1995).
Como comparar com o seu próprio número
O valor do teste está na tendência. Meça antes de começar um tratamento ou uma rotina de treino e repita a cada dois ou três meses, nas mesmas condições. O primeiro número entra no conjunto de medidas de o que medir antes da primeira dose.
Durante um emagrecimento, esse número responde o que a balança não responde: a força acompanhou o peso? Se o peso cai e o tempo piora, leve isso à consulta. O raciocínio está em perder peso e perder músculo não são a mesma coisa e o que fazer a respeito, em exercício durante o tratamento.
O tempo responde ao treino: numa revisão Cochrane de 121 ensaios com 6.700 idosos, o treino de força progressivo melhorou a força muscular e a capacidade de levantar da cadeira.
Quando parar, e com quem fazer
Pare se aparecer tontura, dor em alguma articulação, dor no peito ou falta de ar fora do comum. Anote o que aconteceu e converse com o médico antes de repetir. Dor no peito que não passa ao parar, ou falta de ar intensa, é caso de ligar para o SAMU, 192.
Tenha alguém por perto na primeira vez. Quem tem tontura, dor no joelho ou no quadril, ou já caiu alguma vez, deve fazer com alguém ao lado e perguntar antes ao profissional que o acompanha. Doença cardíaca, problema ortopédico, pressão descontrolada ou longo sedentarismo? Converse com o médico antes de testar e antes de treinar.
O que levar para a consulta
Leve o número com a data, a cadeira usada e uma linha dizendo se precisou das mãos e como se sentiu. É isso que transforma um teste caseiro em informação clínica. O que o médico faz com ele depende de idade, exames, remédios em uso e histórico de quedas. Nada aqui substitui uma consulta, e cada caso exige avaliação individual.
O essencial
- Cinco levantadas da cadeira, braços cruzados, sem apoiar as mãos, com o tempo parando na quinta vez sentada.
- Mão no joelho, cadeira ou horário diferentes tiram a comparação.
- Mais de 15 segundos sugere força reduzida em adultos mais velhos, no consenso europeu. É sinal para conversar, e não diagnóstico.
- O valor está na tendência: repita a cada dois ou três meses, nas mesmas condições.
- Tontura, dor ou falta de ar fora do comum mandam parar.
O que ainda não se sabe
O corte de 15 segundos é uma sugestão de leitura de um consenso de especialistas, e não um limite que separe saúde de doença. As referências por idade que citei cobrem 60 anos ou mais. Para adultos mais jovens, o uso mais sólido do teste é comparar o número com o seu próprio.
Referências
- Cruz-Jentoft AJ et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis (EWGSOP2). Age Ageing. 2019;48(1):16-31. doi:10.1093/ageing/afy169.
- Bohannon RW. Reference values for the five-repetition sit-to-stand test: a descriptive meta-analysis of data from elders. Percept Mot Skills. 2006;103(1):215-222. doi:10.2466/pms.103.1.215-222.
- Buatois S et al. A simple clinical scale to stratify risk of recurrent falls in community-dwelling adults aged 65 years and older. Phys Ther. 2010;90(4):550-560. doi:10.2522/ptj.20090158.
- Guralnik JM et al. Lower-extremity function in persons over the age of 70 years as a predictor of subsequent disability. N Engl J Med. 1995;332(9):556-561. doi:10.1056/NEJM199503023320902.
- Liu CJ, Latham NK. Progressive resistance strength training for improving physical function in older adults. Cochrane Database Syst Rev. 2009;(3):CD002759. doi:10.1002/14651858.CD002759.pub2.
- Shirley Ryan AbilityLab. Five Times Sit to Stand Test. sralab.org.
Dr. Rogério Silva. Cardiologista, especialista em Clínica Médica, pós-graduado em Neurociência e Psicologia Positiva, com formação em cardionutrologia. Autor de A Dor que os Exames Não Mostram. @drrogeriosilvacardio
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso exige avaliação individual. Responsável técnico: Dr. José Rogério da Silva, CRM-SP 172.346 · RQE 78622.
Perguntas frequentes
Como fazer o teste de sentar e levantar cinco vezes em casa?
Com uma cadeira firme, sem braços, encostada na parede: sente com as costas apoiadas, cruze os braços, levante e sente cinco vezes, o mais rápido que conseguir com segurança. O tempo para na quinta vez sentada.
Quanto tempo é normal no teste de sentar e levantar?
Não existe um tempo único, e o que vale depende da idade. Em adultos de 60 anos ou mais, tempos acima de 11,4 segundos entre 60 e 69 anos, de 12,6 entre 70 e 79 e de 14,8 entre 80 e 89 indicam desempenho pior que a média da faixa. Para os mais jovens, vale comparar com o seu próprio número.
Posso apoiar a mão no joelho ou no braço da cadeira?
Não. O teste mede a força das pernas, e a mão tira o esforço delas da conta. Se não consegue sem as mãos, anote isso no lugar do tempo.
Mais de 15 segundos quer dizer que tenho sarcopenia?
Não. No consenso europeu, esse tempo sugere força reduzida em adultos mais velhos e torna a sarcopenia provável, e não confirmada. Quem confirma, com outras avaliações, é o médico.
Com que frequência repetir o teste, e quando parar?
A cada dois ou três meses, com a mesma cadeira, no mesmo horário e com o mesmo calçado. Pare na hora se houver tontura, dor ou falta de ar fora do comum, e converse com o médico antes de repetir.
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