Dr. Rogério Silva, médico cardiologista e cardionutrologista
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Lente de exame e óculos escuros sobre a bancada de um consultório oftalmológico, cena sobre o exame de fundo de olho
Saúde do coração

Exame de fundo de olho: o que ele mostra sobre pressão alta, diabetes e coração

Exame de fundo de olho: o que ele mostra sobre pressão alta, diabetes e coração

Existe um exame em que o médico pinga um colírio, espera a pupila abrir e deixa a pessoa algumas horas vendo o mundo embaçado. Muita gente o associa a trocar de óculos. O exame de fundo de olho serve a outra coisa: é uma das poucas formas de olhar vasos sanguíneos direto, sem cortar nem puncionar nada, e o que aparece ali conta uma história sobre a pressão e o açúcar no sangue.

O que você vai encontrar aqui

  • O que o oftalmologista enxerga no fundo do olho e por que isso interessa ao cardiologista.
  • O que são a retinopatia hipertensiva e a retinopatia diabética, com números de fonte oficial.
  • O que esperar no dia do exame, do colírio às horas de visão embaçada.
  • O que o exame não faz, e quando perda de visão não espera consulta de rotina.

A ideia é que você saiba por que o seu médico pode pedir esse exame e o que perguntar quando o resultado chegar.

O que o exame de fundo de olho deixa ver

A retina é a camada que reveste o fundo do olho e recebe a imagem. Ela é irrigada por vasos muito finos, e esses vasos são visíveis: com a pupila dilatada, o oftalmologista examina o trajeto de cada um, o seu calibre e os pontos em que um cruza o outro.

Segundo o oftalmologista convidado do EmagreSer, são os únicos vasos do corpo que se consegue avaliar de forma direta, e é por isso que o fundo do olho funciona como uma janela. Uma janela, não um retrato completo: ela mostra o efeito da doença nos vasos, e não a doença inteira.

Retinopatia hipertensiva: o que a pressão alta deixa na retina

Pressão alta mantida por anos lesa a parede dos vasos, e a retina registra isso. Nas formas leves, o que se vê são alterações do calibre e cruzamentos arteriovenosos fora do normal. Nas graves, aparecem hemorragias, exsudatos e edema do disco óptico, o papiledema.

A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025 lista o fundo de olho como o método para procurar lesão na retina, com a classificação de Keith-Wagener-Barker, e diz que a avaliação de lesão de órgão-alvo deveria ser feita em todo paciente no diagnóstico. A escolha dos métodos varia com os recursos disponíveis.

Quantas pessoas vivem com pressão alta? No Vigitel 2023, do Ministério da Saúde, 27,9% dos adultos das capitais e do Distrito Federal referiram diagnóstico médico de hipertensão. Esse número conta quem já sabe. A estimativa da OMS para o Brasil, citada na mesma diretriz, é de 45% dos brasileiros de 30 a 70 anos, com 67% deles diagnosticados, o que deixa cerca de um terço sem diagnóstico.

Por isso o oftalmologista convidado destacou que muita gente chega ao diagnóstico depois de anos de pressão alta sem saber, e que a retina pode já ter sofrido nesse tempo. É uma das razões para o encaminhamento no diagnóstico. O raciocínio sobre a pressão que quase não avisa está em pressão alta tem sintoma?.

Retinopatia diabética: o dado mais sólido

No Vigitel 2023, 10,2% dos adultos das capitais referiram diagnóstico médico de diabetes. Entre quem tem a doença, uma análise de 35 estudos populacionais, com 22.896 pessoas com diabetes, estimou que 34,6% tinham algum grau de retinopatia diabética, e 10,2% tinham a forma que ameaça a visão. A frequência subia com o tempo de doença, com a hemoglobina glicada e com a pressão arterial.

O Instituto Nacional do Olho dos Estados Unidos (NEI) resume o que mais importa: as fases iniciais da retinopatia diabética geralmente não dão sintoma. E ter pressão alta ou colesterol alto junto com o diabetes aumenta o risco, o que liga este assunto ao de colesterol alto.

Para quem tem diabetes tipo 2, a Academia Americana de Oftalmologia (AAO) orienta o primeiro exame no diagnóstico e, depois, ao menos uma vez por ano. No tipo 1, o primeiro exame é cinco anos após o início da doença.

O que o exame não faz

O exame de fundo de olho mostra o efeito, não a causa. O diagnóstico de pressão alta continua dependendo da medida da pressão, e o de diabetes, do exame de sangue. Um fundo de olho sem alteração não afasta nenhuma das duas doenças: diz apenas que, naquele dia, a retina não mostrava lesão. E lesão na retina pode ter outras explicações, que o oftalmologista e o cardiologista investigam juntos.

O que esperar no dia do exame

O colírio abre a pupila para que a luz alcance uma parte maior da retina, e o oftalmologista examina o fundo do olho com uma lente e uma fonte de luz. É um exame sem dor.

Por algumas horas a visão fica embaçada e a luz incomoda. O NEI recomenda levar óculos escuros e pedir a alguém que leve a pessoa para casa, em vez de dirigir. Leve também os exames recentes e a lista de remédios em uso.

Quando a perda de visão não espera a consulta de rotina

Perda súbita de visão em um olho, uma sombra ou uma cortina que aparece de um dia para o outro, mesmo sem dor, pede atendimento no mesmo dia. O tema tem texto próprio em perda súbita de visão em um olho, sem dor. Se vierem junto dor no peito, falta de ar, fraqueza de um lado do corpo ou fala enrolada, ligue para o SAMU, 192.

Como levar isso para a próxima consulta

Três perguntas valem a conversa. Quando foi o meu último exame de fundo de olho? A pressão e a glicose foram conferidas nesse intervalo? O resultado chegou ao médico que acompanha a minha pressão ou o meu diabetes?

Depois da conversa com o oftalmologista no EmagreSer, passei a incluir o encaminhamento oftalmológico na avaliação que antecede o tratamento medicamentoso da obesidade. Os motivos estão em avaliação dos olhos antes da caneta emagrecedora e em canetas emagrecedoras e perda de visão. Quem usa medicação para diabetes encontra o cuidado com a retina em caneta para diabetes tipo 2.

Nada aqui substitui a consulta: cada caso exige avaliação individual.

O essencial

  • O fundo de olho mostra os vasos da retina e o dano que pressão alta e diabetes causam neles.
  • A Diretriz Brasileira de Hipertensão de 2025 lista o exame como método para a retina e pede avaliação de lesão de órgão-alvo no diagnóstico.
  • Em 35 estudos, 34,6% das pessoas com diabetes tinham algum grau de retinopatia, e as fases iniciais em geral não dão sintoma.
  • A AAO orienta que quem tem diabetes tipo 2 faça o exame no diagnóstico e, depois, ao menos uma vez por ano.
  • O exame não faz o diagnóstico de pressão alta nem de diabetes, e um resultado normal não afasta as duas.
  • Perda súbita de visão em um olho pede atendimento no mesmo dia.

O que ainda não se sabe

A própria diretriz brasileira reconhece que não há estudos clínicos desenhados para definir o intervalo ideal de reavaliação das lesões de órgão-alvo. A orientação é reavaliar com mais frequência, a cada 6 meses a 1 ano, quem tem a pressão mal controlada ou lesão na avaliação inicial.

Referências

  • Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624. doi:10.36660/abc.20250624.
  • Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2023: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. gov.br.
  • Yau JWY, Rogers SL, Kawasaki R et al. Global prevalence and major risk factors of diabetic retinopathy. Diabetes Care. 2012;35(3):556-564. doi:10.2337/dc11-1909.
  • American Academy of Ophthalmology. Comprehensive Adult Medical Eye Evaluation Preferred Practice Pattern. aao.org.
  • National Eye Institute. Diabetic retinopathy. nei.nih.gov.
  • National Eye Institute. Get a dilated eye exam. nei.nih.gov.

Dr. José Rogério da Silva. Cardiologista e nutrólogo.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso exige avaliação individual. Responsável técnico: Dr. José Rogério da Silva, CRM-SP 172.346 · RQE 78622.

Perguntas frequentes

O exame de fundo de olho detecta pressão alta e diabetes?

Ele não faz o diagnóstico. Mostra o efeito dessas doenças nos vasos da retina. O diagnóstico depende da medida da pressão e do exame de sangue.

O exame de fundo de olho dói?

Não. O colírio dilata a pupila e o exame é feito com uma lente e uma luz. O incômodo é a luz forte e a visão embaçada por algumas horas.

Quanto tempo dura a visão embaçada depois do colírio?

Algumas horas, segundo o NEI. Nesse período o recomendado é levar óculos escuros e ter alguém para levar a pessoa para casa, em vez de dirigir.

Quem tem pressão alta precisa fazer fundo de olho?

A diretriz brasileira de 2025 pede avaliação de lesão de órgão-alvo no diagnóstico e lista o fundo de olho como o método para a retina. A indicação é do médico.

De quanto em quanto tempo quem tem diabetes deve repetir o exame?

Para o tipo 2, a AAO orienta o exame no diagnóstico e, depois, ao menos uma vez por ano. Quem já tem retinopatia pode precisar de intervalos menores, definidos pelo oftalmologista.

Guia do Dr. RogérioAntes da CanetaAs páginas de valor que deveriam vir na caixa.Existe uma fase antes da primeira dose. Quase todo mundo pula.Conhecer o guia

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